O Rio Douro

O R i o

O rio Douro (do celta dur (água), chamado Duero, em castelhano) é um rio que nasce em Espanha na província de Sória, nos picos da Serra de Urbião (Sierra de Urbión), a 2.080 metros de altitude e atravessa o norte de Portugal. A foz do Douro é junto às cidades do Porto e Vila Nova de Gaia. Tem 927 km de comprimento. Este é o segundo rio mais extenso da Península Ibérica.
A Barragem da Régua (Bagaúste), uma das oito situadas em território português está localizada no distrito de Vila Real, na bacia hidrográfica do Douro. A construção foi finalizada em 1973.
A Carpa foi introduzida, ao que pude apurar, após a construção das barragens, pelo que temos carpas no Douro à praticamente 30 anos, o que nos leva a pensar um pouco. 30 anos????? Com aquela quantidade e diversidade de alimento é melhor nem pensar. No entanto, é preciso não esquecer, que foram com certeza, milhares e milhares de carpas dizimadas pela pesca de rede. Como chegava cedo para pescar (6 da manhã), por volta das 8 da manhã passava o barco com dois “pescadores” e volvidos alguns minutos começavam a levantar as redes, sempre nos mesmos locais, pois foram várias as vezes que o observei. Curiosamente são sítios onde já vi saltar carpas e inclusive as carpas abaixo mostradas, foram capturadas num local onde por mais de uma vez vi levantar uma rede.




Locais a Procurar

Como em qualquer rio o importante é localizar as carpas, e isto por vezes é mais de 50% para o sucesso. Um termo que já me deu que pensar e nunca ninguém me explicou, são as denominadas “Rotas das carpas”. Confesso que faz algum sentido, pois estas “rotas” existem nas mais variadas espécies de animais, porque não nas carpas? Para irmos para o restaurante A ou B seguimos o caminho Y ou Z.
Locais que contenham, árvores submersas, árvores a fazer sombra, ervas, os chamados Altos/Fundos (diferenças de profundidade), entradas de ribeiros, afluentes (apesar de ser proibido na época da desova), são todos locais a ter em conta e onde vale a pena investir. Apesar de as margens estarem relativamente bem arranjadas, aquando da construção das barragens e devido ao facto de existirem estradas junto ao rio assim como a linha do comboio, é possível em alguns locais, ver muros que poderão também ser um local a ter em conta. Se estivermos munidos de barco e sonda poderemos também encontrar submersos em alguns sítios, velhos muros dos socalcos de antigas vinhas que ficaram submersas a 30 anos atrás. Uma chamada de atenção para o facto de as gentes de beira Douro serem bastante curiosas principalmente os pescadores locais que andam sempre a ver o que se passa, pelo que, sermos discretos nas alturas de engodagem, bem como acção de pesca, é fundamental.

Iscos a usar

Aqui deixo ao critério e à carteira de cada um. Na minha opinião apesar de não serem selectivas, as sementes são o isco que devemos usar, se não for na totalidade, pelo menos na maioria das vezes. Aquilo que toda a gente sabe, o milho, a noz tigrada, a fava, o tremoço, sei lá… usem a imaginação, iscos vivos, as flutuantes do Manuel José (quem tiver). Uma coisa que reparei ao longo do ano passado, nos poucos arranques que tive, foi que, foram todos numa montagem que tinha 2 bagos de milho natural e um flutuante, independentemente de engodar muito ou engodar pouco, ir colocar a montagem de barco ou lançar. Um isco que pessoalmente já me deu um record em rio mas que nunca me proporcionou resultados no Douro é o Frolic. Os aros à “base de carne”, usados para alimentar o mais fiel amigo do homem, proporcionam capturas em Rio, diariamente por esse mundo. O facto de serem oleosos, e serem constituídos por farinhas à base de carne, poderá levar a que este isco seja visto pelas carpas como um complemento à sua dieta regular. Mas isto de constituir um complemento tem muito que se lhe diga pois mais uma vez as opiniões dividem-se. O que é certo, é que é um isco com provas dadas em todo o mundo e de inquestionável eficácia.


A Engodagem


Páginas e páginas de discussão, cada um com a sua ideia, uma coisa é certa, é muito difícil “fixar” as carpas de rio para não dizer impossível. A minha ideia é engodar, engodar muito e muitas vezes. Li no outro dia num fórum francês que um grupo de pescadores no Rio Sena, engoda 60 kg de sementes diariamente o que dá qualquer coisa como 400 kg por semana. Parece algo astronómico mas segundo eles é o mínimo dos mínimos. Dou um outro exemplo de um amigo francês do facebook que mora junto ao rio Rhone e engoda unicamente boillies de 30mm extremamente duros, à razão de 1 kg por dia durante 2 meses seguidos. Cada rio é um rio mas na minha opinião as carpas comportam-se de maneira semelhante, pelo que podemos fazer algumas analogias. Temos carpistas em Portugal que “defendem” engodagens massivas, dependendo do local obviamente. A dificuldade em Portugal é haver poucos carpistas, e os poucos que existem terem que levar a cabo estas engodagens de uma forma solitária o que torna tudo muito dispendioso. Um outro factor é a distância, pois para muitos, o Rio Douro encontra-se a muitos Kms de distância. Que ninguém duvide que se pudesse engodar boillies de qualidade massivamente era o que faria. Mas, é como disse em cima, cada um sabe de si e da sua carteira.

Depoimentos

Como considero que existe gente em Portugal que sabe muito sobre o Rio Douro deixo aqui dois depoimentos um deles uma mensagem privada que me foi enviada pelo Manuel José (Carper), para mim dos únicos carpistas portugueses ao nível dos melhores na modalidade, e o outro, um apanhado de comentários feito pelo Pedro (Bip Bip) pelos fóruns portugueses, que considero um dos maioresapaixonados por esta pesca em Portugal

Sim pesquei durante muito tempo no douro embora agora já há algum tempo que não pesque por lá. O grande problema num rio grande como o douro é localizar o peixe pois normalmente o peixe anda em constante movimento e (pelo menos onde eu pescava) são poucas as zonas onde permanecem, onde eu pescava isto só acontecia num troço de margem ai com 2km que era uma autentica pista de obstáculos e o peixe sentindo-se seguro e com fartura de alimento mantinha-se por lá, mas mesmo ai não era fácil pois mesmo 2km é muita água para se movimentarem (para além do facto de poderem visitar outras zonas fora). E as carpas maiores que apanhei no douro foram na época de desova em pequenos braços ou ribeiros onde iam para desovar ou então na parte principal do rio entre 5-12 metros de profundidade durante o resto do ano. O maior problema é habitua-las a um isco mais selectivo, sementes funcionam bem, tigernuts em especial mas não são selectivas e acaba-se por tirar pequenas atrás de pequenas, com a quantidade de alimento natural é difícil habitua-las aos boilies e o maior erro é pensar que elas vão habituar-se mais depressa a um boilie de peixe pois são mais parecidos aos alimentos naturais delas, para mim isto esta errado, para as habituar aos boilies tem de se pensar neles não como a fonte de alimento delas mas como um suplemento e neste caso que lhes ajude a digerir o alimento natural que consomem e esta foi táctica que me deu melhores resultados, boilies de fácil digestibilidade que lhes ajude também a digerir a alimentação natural delas.”

Manuel José (Carper)


“O rio Douro é muito complexo. mas de momento é onde andam os recordes... mas é preciso morar-se perto e trabalhar! Em termos de material... é preciso perder uns trocos em montagens... porque grande parte dos melhores locais tem obstáculos... A minha experiência no rio Douro é Barragem de Crestuma. A minha ideia é que no rio temos que engodar grandes quantidades... e observar muito, experimentar vários pesqueiros... e sem duvida a pesca de barco facilita bastante. Poderes estar a pescar em cima de um barco... porque aí podes sondar, ancorar o barco e passar um dia/noite à pesca... não dá nada... barco para outro pesqueiro... pesca de margem é complicado arranjar pesqueiros sossegados e bons... porque quando tens acessos... está cheio. Grande parte dos acessos ou são complicados ou tens que invadir propriedade privada mas não impossível”!

Pedro (Bip Bip )